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CÂMARA DE GUARAPARI: Prefeitura e Lorenzutti não enviam representantes e deixa a situação mais complicada para a população que continuam sem transporte coletivo

Os problemas e deficiências do Sistema Municipal de Transporte Coletivo, operado por meio de monopólio pela concessionária Expresso Lorenzutti, deveriam ter pautado uma importante audiência pública na Câmara de Guarapari, na tarde desta quarta-feira (09/06).

A reunião chegou a ser transmitida ao vivo pela televisão local e redes sociais da CMG, mas no entanto, apesar da grande mobilização social causada pela reunião e mesmo diante da presença de um significativo número de vereadores, dirigentes sindicais e funcionários da empresa,

no plenário Ewerson de Abreu Sodré, os principais convidados para a discussão  – os representantes da Expresso Lorenzutti e da Prefeitura Municipal  -, infelizmente não compareceram ao evento, inviabilizando assim o debate.  

Num gesto de flagrante descaso com a população guarapariense e num exemplo grotesco de desrespeito aos seus próprios funcionários, a representante da concessionária Expresso Lorenzutti, Núbia Lorenzutti Oliveira, alegou a impossibilidade de comparecer à audiência, devido a um outro compromisso que disse já ter agendado anteriormente.

Já o secretário municipal de Posturas e Trânsito, Luiz Carlos Cardozo Filho, também alegou estar cumprindo um outro compromisso, enquanto o fiscal do contrato de concessão celebrado entre a Prefeitura de Guarapari e a Empresa Expresso Lorenzutti, também não pôde estar presente,

apesar do convite que a Comissão de Serviços, Obras Públicas e Fiscalização da CMG enviou á Administração Municipal.

INDIGNAÇÃO GERAL

As ausências dos representantes da concessionária e da prefeitura causaram indignação aos vereadores e participantes da audiência.

Todos entenderam que essas faltas aconteceram de propósito, pelo evidente desinteresse dos convidados em prestar os devidos esclarecimentos à sociedade guaraparinse, acerca das precariedades que envolvem este contrato de concessão e a temerária situação dos motoristas e cobradores da Expressso Lorenzutti, que estão com os salários atrasados, não recebem o vale-alimentação e ainda correm o risco de perderem seus empregos devido à falta de segurança financeira desta empresa.

Para evitar aglomerações, em função da pandemia de Covid-19, a Câmara precisou limitar o número de participantes da audiência e, por isso, vários funcionários da empresa Expresso Lorenzutti acompanharam a audiência do lado de fora da CMG, onde instalaram um aparelho de televisão para assistirem os trabalhos.

Além do presidente da Câmara, Wendel Lima (PTB); dos integrantes da Comissão de Serviços, Obras Públicas e Fiscalização da CMG – Denizart Zazá (presidente); Oldair Rossi (relator) e Léo Dantas (membro) – e dos diversos vereadores que participaram do evento (Rosana Pinheiro, Rodrigo Borges, Izac Queiroz, Max Júnior, Kamilla Rocha, Dudu Corretor, Zé Preto e Dito Xaréu), a Audiência Pública sobre o Sistema Municipal de Transporte Coletivo também contou com a presença de uma comissão formada por representantes dos funcionários da concessionária Expresso Lorenzutti; de dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Guarapari (Sintrovig) e de representantes da Federação das Associações e Movimentos Populares de Guarapari (Famompog), entre outros.  

As ausências de representantes da concessionária Expresso Lorenzutti e da Prefeitura de Guarapari inviabilizaram o debate público

mas não comprometeram a audiência, onde vereadores, funcionários da empresa e populares puderam fazer uso da palavra para elencarem as deficiências e problemas do Sistema Municipal de Transporte Coletivo,

e também para manifestarem suas opiniões e reivindicações para melhorar a qualidade dos serviços prestados pela empresa, que não são tidos como satisfatórios pelos usuários.

De acordo com os rodoviários e vereadores, desde que a Expresso Lorenzutti venceu a licitação, em 2016, e assinou contrato de concessão com o município, houve uma grande redução do número de ônibus em operação na cidade.

Até então, eram 115 ônibus, mas depois que a empresa assumiu o sistema, este quantitativo caiu para apenas 60 veículos.

Em seguida, a frota da Lorenzutti continuou sendo gradualmente reduzida até chegar ao número atual de 37 veículos rodando no município, o que é insuficiente para atender aos 67 bairros de Guarapari, segundo o Sintrovig.

Entre as demais deficiências do Sistema Municipal de Transporte Coletivo, os participantes da audiência destacaram: a falta de renovação da frota (ônibus velhos), a falta de linhas e de itinerários que atendam todas as regiões da cidade; os constantes atrasos nos horários dos ônibus;

a falta de bilhetagem eletrônica; falta de fiscalização dos serviços prestados; falta de abrigos nos pontos de ônibus; falta de microônibus para atender comunidades mais distantes e/ou situadas em locais de acesso mais difícil;

e o descumprimento das obrigações patronais e trabalhistas por parte da Expresso Lorenzutti, o que vem deixando seus funcionários em situação de penúria.

Carlos Alberto da Silva Comes – cobrador da Expresso Lorenzutti

“Tem funcionário da Expresso Lorenzutti passando fome, porque não recebe salário há 40 dias e nem ao menos o benefício do vale-alimentação. Tem chefe de família que já não está conseguindo levar nem o que comer para casa.

Isso é muito triste, porque todos nós trabalhamos com profissionalismo e dedicação, mas estamos sem receber nenhum reajuste salarial desde 2018 e a empresa nos desrespeita,

alegando sempre que está passando por dificuldades financeiras e não tem como honrar seus compromissos, nem como quitar a folha de pagamentos e nem como pagar os atrasados à categoria.

Além disso, a concessionária – que opera sozinha, em Guarapari, há cinco anos – só pagou um ano e quatro meses de FGTS aos funcionários.

Ou seja, desde 2016, a Expresso Lorenzutti deixou de pagar três anos e seis meses do FGTS de seus trabalhadores e a gente ainda tem que enfrentar o medo de perder o emprego em plena pandemia.

Já não sabemos mais a quem recorrer”, disse emocionado o cobrador Carlos Alberto da Silva Comes.

GREVE VAI CONTINUAR

De acordo com dirigentes do Sindicato dos Rodoviários de Guarapari, os motoristas e cobradores da Expresso Lorenzutti foram surpreendidos, nesta semana, com a notícia de que o movimento grevista da categoria foi considerado ilegal,

mesmo após a empresa ter realizado reuniões com os dirigentes sindicais, em busca de soluções para regularizar a situação dos funcionários e colocar em dia o pagamento dos salários e dos benefícios atrasados.

Como as negociações não avançaram e não houve pagamento de salários atrasados, o movimento grevista dos rodoviários continua em Guarapari.

RESCISÃO CONTRATUAL

Vereadores Denizart Zazá, Oldair Rossi e Léo Dantas (Comissão de Fiscalização/CMG)

Para encaminhar o debate sobre as precariedades do Sistema Municipal de Transporte Coletivo, os vereadores de Guarapari chegaram a propor a rescisão do contrato entre o município e a Expresso Lorenzutti,

e a realização de uma nova licitação visando à contratação de outra concessionária que possa prestar melhores serviços aos usuários da cidade, com uma frota mais moderna e com maior número de ônibus em circulação, além de solidez suficiente para pagar os salários em dia, aos trabalhadores, e garantir os empregos gerados pelo sistema.
 

RESPONSABILIDADE DO PREFEITO

No final da audiência, o presidente da Câmara de Guarapari,

vereador Wendel Lima (PTB), defendeu a necessidade de que o prefeito Edson Magalhães (PSDB) tome uma decisão firme acerca da situação dos funcionários da Expresso Lorenzutti e das precariedades apresentadas pelo sistema que, de acordo com os participantes do evento, não são poucas e nem fáceis de serem regularizadas. 

“Agora, cabe ao prefeito municipal tomar uma decisão sobre este imbróglio e adotar as providências, que são de sua responsabilidade, para resolver a situação de uma forma definitiva.

Ou o município rescinde este contrato e realiza outra licitação, ou ajuda a empresa a buscar recursos e alternativas para se recuperar e pagar seus funcionários, ao invés de buscar paliativos e soluções provisórias.

O prefeito precisa manifestar seu posicionamento sobre este assunto.

Já passou da hora de o Poder Executivo tomar uma decisão.

A população de Guarapari não merece continuar submetida a este complicado quadro de deficiências e precisa de respostas”.

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